Congresso discute os desafios da comunicação nas organizações

No Comments »


O exercício competente de pensar, comunicar, criar e inovar na comunicação das organizações, dentro de um enfoque estratégico da área, foi a proposta do 2º. Congresso ABERJE de Comunicação Empresarial, realizado no Guanabara Palace Hotel no Rio de Janeiro/RJ durante todo o dia 14 de agosto de 2008. Mais de 200 participantes de vários estados brasileiros movimentaram as sessões de perguntas e aproveitaram a oportunidade de intercâmbio, a partir de conceitos e provocações de 14 especialistas palestrantes em temas diversificados.



O jornalista Caio Túlio Costa, diretor-presidente do Internet Group – que reúne iG, iBest e BrTurbo, fez a primeira intervenção dentro do painel “Cobertura On-Line”. Ele concentra o raciocínio sobre a palavra “revolução” e o quanto está aplicada ao cotidiano com as novas mídias. Como exemplos, cita a manifestação contrária ao governo filipino em 2001, quando as pessoas foram mobilizadas via instant Messenger, email e torpedos para furar o bloqueio da mídia tradicional diante da ditadura vigente, conclamando pessoas a vestirem preto numa determinada avenida da capital, num processo que levou à deposição do então presidente Joseph Estrada. Depois, em 2004, no atentado à estação de metrô em Madri com bombas acionadas via celular, e diante da intensa cobertura da mídia internacional, o presidente José Maria Aznar atribuiu o fato ao grupo separatista ETA. Contudo, foi descoberto que seria atitude da Al Qaeda, desmoralizando o discurso governamental oficial por meio de informações disseminadas em SMS, email e instant Messenger e levando à presidência, nas eleições da semana seguinte, o oposicionista José Luis Zapatero. Costa ainda relembra os ataques da organização criminosa PCC a bases policiais, instituições bancárias e sistema de transporte em São Paulo em 2006, numa reação à ordem de transferência de líderes para presídios do interior. Após o final de semana, um suposto “toque de recolher” foi disseminado pela internet e celular, e a cidade foi esvaziando, mesmo que as autoridades tenham recorrido aos meios de comunicação tradicionais para desmentir. “Alguma coisa mudou”, alerta, dizendo que antes os jornalistas eram os principais atores, e hoje não teríamos mais esta proeminência, porque todos são produtores de conteúdo. Mas a notícia, na opinião dele, está longe de ser virtual, e sendo bem concreta causa impactos fortes e precisa ser vista com extrema responsabilidade. “A convergência, portanto, não está nos aparelhos, mas sim nas pessoas”, acrescenta Caio.




Das 26 maiores revistas semanais brasileiras, a leitura média é por 17 milhões de pessoas em seus mais de 3,6 milhões de exemplares distribuídos. O mesmo patamar de alcance tem os 30 maiores jornais nacionais. Já na internet, de acordo com dados do Ibope, há de 40 a 45 milhões de internautas ativos, número fixado pelo Instituto DataFolha em 59 milhões de pessoas. Ele completa afirmando que os anúncios nos grandes portais custa 20 vezes menos. Ao contrário do perfil familiar e nacional dos grupos de comunicação, a internet é internacional e de domínio pulverizado: 20% da audiência brasileira está no Google, ficando 19% para Microsoft e seus canais, 15% para o UOL e 12% tanto para o Terra quanto para o iG. Aliando as abordagens, ele comenta que o iG tem o espaço “Minha Notícia”, em que os visitantes comuns postam temas de interesse, com pequenos filtros, dando espaço para manifestação, mas sem evitar erros e até mentiras, cabendo ao leitor ter discernimento. “O lugar do jornalista mudou, mas a ética não muda e a informação de credibilidade vai manter seu espaço”, pontua.




Já o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, partiu do conceito de empreendimento sustentável, como força de posicionamento das organizações, para questionar como a comunicação vem seguindo estes parâmetros. As ferramentas da área deveriam ser permeadas pela crença do interesse e do entendimento público, levando em conta todos os elos sociais que intervêm no cotidiano empresarial, em uma forma dirigida de alcançá-los. “A reputação de uma empresa é seu grande valor intangível, e que, da noite para o dia, interfere em seu valor tangível de mercado”, visualiza, reputação justamente derivada da articulação de relacionamentos com as partes interessadas, internacionalmente denominadas “stakeholders”.




No cenário atual, ele constata o retorno de discussões que se julgava ultrapassadas, como o controle sobre o jornalismo e as restrições à publicidade de determinados segmentos, mostrando as polêmicas em torno da liberdade de expressão, postulado básico e alastrado pelo enfoque de colaboração da internet. Neste sentido, aumentaria a responsabilidade dos comunicadores com a verdade e com o direito à voz de mais pessoas em sua implementação. Os valores da comunicação não devem depender da plataforma, na opinião dele, alertando que, numa democracia tão jovem como a brasileira, alguns pressupostos não podem ser abandonados. E reitera: “a tecnologia não cria valores. Não podemos esquecer da dimensão humana. A tecnologia acelera as percepções”. Segundo Gandour, “o nível de inovação das novas mídias ainda é muito baixo em relação à interatividade. É um patamar muito baixo de gênese primária de informação, estando ainda muito ligadas às fontes tradicionais”.




A finalização da primeira discussão foi feita pela diretora da Polipress Cooperativa Digital, Pollyana Ferrari. Para ela, a internet é um ambiente aberto por excelência, e novas invenções surgem todo o dia. Novas ferramentas para enriquecer a experiência dos usuários os tornam interagentes, não só espectadores mas também publicadores e protagonistas. O suporte da geração e transmissão de informação não interessaria mais, mas sim a disposição de entender os movimentos da sociedade e o maior foco de apelos. Com a internet, a linguagem se simplifica e passa-se aos poucos a existir menos barreiras entre as pessoas, menos privacidade e mais intimidade. A nova mídia muda de papel e os conteúdos colaborativos explodem na rede, dando base à chamada web 2.0, com pessoas mais maduras e propositivas que transitam nos fóruns, chats, wikis, blogs e comunidades. Sites como LastFM (http://www.lastfm.com.br/) estimulam a troca de informações e o compartilhamento e assim geram conteúdos, indicadores e novos argumentos para a comunicação. Servidores de blogs, redes de colaboração, amizades e relacionamentos passam a existir diariamente em várias camadas do cyberespaço.




Aí a palestrante chega ao Consumer-Generated Media/CGM, com a mídia gerada pelo consumidor e transmitida por canais participativos, como fonte-base ou como comentários de conteúdos. Como Pollyana aponta, é um cenário de imenso CRM, um grande banco de dados público e online com as experiências e opiniões pessoais, que podem ser bem trabalhadas pela comunicação organizacional. O monitoramento das redes sociais é um trabalho urgente e ela sugere um processo humano e manual de visitação e anotações que levem a formatar as impressões virtuais e os planos de contingenciamento, com ações e reações dinâmicas. “Não adianta fazer campanha de marketing sem lastro real, porque até anúncios de supostas áreas de reflorestamento são checadas pelos cidadãos através do Google Earth”, alerta.




Outros três painéis compuseram o evento (ver textos complementares). Participaram executivos de empresas como Shell, Mercedes-Benz, Gerdau, Oi, Ampla, ArcelorMittal, Unimed, Odebrecht, Santander, Coca-Cola, IBM, Souza Cruz e muitas agências de comunicação, além de entidades como Sebrae e ainda órgãos como Previ, Ministério da Fazenda e Governo do Ceará.

AGENDA ­



Na agenda carioca da ABERJE, está marcado no dia 26 de agosto de 2008 o curso “Pesquisa para criação de Indicadores de Desempenho”, ministrado pela relações públicas Suzel Figueiredo, e no dia seguinte o 24. Encontro ABERJE Rio, organizado pelo Capítulo estadual sob direção do gerente-geral de Comunicação da Vale, Paulo Henrique Soares, ocasião em que vai ser feito o lançamento oficial do livro “Comunicação Interna – a Força das Empresas vol. 4”. Ainda estão programados na cidade os cursos “Endomarketing: Prioridades empresariais através do estratégico alinhamento interno”, com Saul Bekin, no dia 26 de setembro, e “Relatórios de Sustentabilidade GRI”, com os professores Carmen Weingrill e James Heffernan, nos dias 28 e 29 de outubro. Mais dados pelo eventos@aberje.com.br, com a agenda de outras cidades, ou no 11-3662-3990 com Carolina Soares ou Fernanda Peduto.





RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (http://www.mundorp.com.br/)

Tecnologia é decisiva na estratégia de relacionamento

No Comments »





Fomentar a difusão de informações relacionadas aos indutores e barreiras que tangenciam a gestão do relacionamento corporativo com diferentes públicos de interesse, para o desenvolvimento de ações estratégicas, tendo cases como referência. E com isto permitir uma análise de investimentos sobre as ações de comunicação através de uma gestão personalizada dos relacionamentos, garantindo redução de custos com postagens, aumento da eficácia do contato eletrônico e otimização da logística em organização dos eventos por meio de mailings segmentados com relatórios de apoio gerenciais. Este foi o tema principal de mais uma edição do Café Temático Maxpress, realizado na manhã do dia 12 de agosto de 2008 no Centro de Eventos e Negócios de São Paulo/CENESP, reunindo mais de 60 pessoas presencialmente e um outro grupo por meio da transmissão web, em parceria com a MegaBrasil. Foram convidados o gerente de Imprensa e Relações Públicas do Banco Itaú, Paulo Marinho, e a coordenadora de Comunicação da Rede Social São Paulo, Clarissa Medeiros.


O Banco Itaú, com o objetivo de estreitar seu relacionamento e ampliar o diálogo com os públicos estratégicos, compôs um plano de Responsabilidade Socioambiental. A idéia é buscar o alinhamento de diferentes projetos da instituição financeira, promovendo o debate e a conscientização de seus públicos de relacionamento, entre eles colaboradores, acionistas, investidores, clientes, fornecedores, comunidade e terceiro setor, governo e meio ambiente. Com 62 anos de história, e números expressivos – como 30 mil fornecedores, 24 milhões de clientes em três mil pontos de atendimento e 69 mil colaboradores, a empresa tem grandes desafios. Marinho registra que o desenvolvimento sustentável é o fator primordial, baseando-se no conceito da linha tríplice de resultados (social + ambiental + econômico), num relacionamento equilibrado. Neste sentido, entre os valores empresariais ele cita a transparência, a ética, o respeito às pessoas, a qualidade e o respeito à diversidade.


Performance e perenidade associados, através de uma equipe motivada, de um cliente satisfeito e uma comunidade engajada: esta é a fórmula proposta pelo palestrante, dizendo que nunca abandonam o foco de instituição bancária, mas não deixam de atuar em parceria com outras organizações. “Acreditamos que o lucro é saudável, a empresa precisa gerar riquezas”, pondera ele. Ao lado disto, há comitês internos variados, a adesão a princípios éticos internacionais norteadores e uma postura consciente de relacionamento, incluindo aí o uso de créditos pelos clientes. Tudo isto dá origem a programas para afro-descendentes, jovem cidadão e adolescente aprendiz, a um sistema forte de comunicação interna, além de sites específicos para públicos e atividades como o Diálogos Itaú de Sustentabilidade e o Prêmio Itaú de Finanças Sustentáveis para trabalhos de mestrado e doutorado e para veiculações jornalísticas.


AGREGAÇÃO - A Rede Social São Paulo (http://www.cmacomunicacao.com.br/listen/maxpress_muda.php?rd=119652&ceda=5827888&ml=#mail#) é uma aliança formada por mais de 100 organizações representativas da sociedade civil, do setor empresarial e do governo para incentivar a mobilização das pessoas em torno de questões sociais que afetam o dia-a-dia da população. É um amplo movimento suprapartidário que aprimora e fortalece sistemas e redes sociais, contribuindo para a garantia dos direitos humanos no Estado de São Paulo. Nesse sentido, o grupo criou o projeto Envolver, que estimula a criação, estrutura e fortalece redes locais, contribuindo para o aprimoramento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA). “Agentes de solução já existem, mas não se conversam, não tem resultado, porque tem muita dispersão. Para fazer acontecer este sistema, melhorando a fluência e o itinerário, precisa articulação e comunicação”, analisa a RP Clarissa Medeiros.



Eles adotam a metodologia do Unicef, partindo da mobilização de “cabeças-de-chave”, diagnóstico de desafios e propostas, desenho de plano de ação municipal, palestras e oficinas de capacitação e monitoramento contínuo da execução. A mobilização envolve prospecção de lideranças naturais com papel convocatório, organização de cadastros e escolha de meio e mensagem de maneira muito personalizada. Clarissa acrescenta: “por vivermos num estado de direito, percebemos a importância dos juízes e promotores para atrair lideranças. E a comunicação para eles precisa ser diferente. Então, tudo passa pela segmentação, em que a tecnologia tem papel importante”.


O diagnóstico consiste num reforço à formação das redes, inclusão de redes locais preexistentes com pertinência de discurso, animação do processo com registro e compartilhamento dos avanços e prestação de contas contínua. O desenho do plano diz respeito à reconvocação das pessoas, registro e memória local, cobertura da mídia e compartilhamento de status e notícias. Após um ano de implantação do projeto, já são 14 mil lideranças agrupadas em 380 municípios. Ela indica que, para formar redes com sucesso, deva-se ter objetivos e valores compartilhados, liderança transformadora com capacidade de negociação, comunicação eficaz da rede e com públicos externos, bom nível de governança (definição conjunta de regras, procedimentos, critérios, estrutura, papéis) e identificação das instituições, grupos e serviços.


Clarissa conta que enfrentou problemas na visibilidade e reconhecimento da Rede, por haver vinculação política com um Governo em ano eleitoral, e não com o perfil imparcial necessário. Além disto, houve a convivência de nomes e logomarcas que causaram confusão de identidade. Daí, a abordagem da comunicação foi feita como combustível da Rede Social, numa visão integrada, mapeando públicos estratégicos, organização de portal, boletim, convites, informe mensal, relatórios, assessoria de imprensa e outros instrumentos. O momento agora é de qualificação dos quóruns, seu engajamento e a sintonia de objetivos e ações de todos. “Tudo parte do planejamento, com comunicação estruturada. É uma mobilização de energia e recursos, em que um grande capital social é o cadastro arquivado”, finaliza.


MAXPRESS – Antes do término do encontro, o diretor executivo da MaxPress, Sérgio Franco, mostrou case da Cosipa com mapeamento de públicos de nove municípios da Baixada Santista para permitir agilidade e precisão de acesso. Foram 3600 entidades com 8200 contatos levantados, implantados numa solução com ferramentas informatizadas de gestão de rede, gestão de eventos e gestão do conhecimento integrados.


A Maxpress é uma das maiores empresas brasileiras de serviços em tecnologia e comunicação. Entre seus produtos mais notabilizados, estão o Mailing de Imprensa (extenso banco de dados informatizado de relações com veículos e jornalistas), o MaxData (serviço de tratamento e atualização de bases de dados) e o MaxGov (mailing de entidades governamentais em todos os âmbitos e níveis). As ferramentas possuem filtros minuciosos para seleção de lideranças, impressão de etiquetas, emissão de relatórios, envio de emails e faxes. A empresa mantém o http://www.maxpressnet.com.br/, um espaço funcional de referência na distribuição de releases, incluindo vídeo ou áudio releases, salas de imprensa e coletivas web. Outro enfoque é a gestão do conhecimento corporativo, por meio de uma metodologia que armazena, registra e sistematiza informações para democratizar o acesso e estruturar a própria memória empresarial, e ainda o MaxPrêmios, sistema que automatiza todas as etapas de um processo de premiação com consulta, votação e julgamento pela internet.





RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (http://www.mundorp.com.br/)

A matemática invade a Comunicação

No Comments »



Com a crescente demanda por instrumentos de análise e informação que possibilitem a otimização dos investimentos realizados nas diferentes ações de comunicação e marketing, a discussão sobre ROI vem-se mostrando fundamental. O tratamento como ferramenta estratégica no planejamento e tomada de decisão sobre os recursos aplicados e alocação de verbas futuras foi a tônica do III Fórum Internacional ABA ROI, realizado no Novotel Jaraguá em São Paulo/SP entre os dias 5 e 6 de agosto de 2008, organizado pela Associação Brasileira de Anunciantes (www.aba.com.br).



O presidente e COO da Copernicus Marketing Consulting, Peter Krieg, fez a abertura do segundo dia do evento, tratando de ROI na propaganda. Segundo ele, há mudanças drásticas na demanda por responsabilidade pelo investimento feito em marketing, apontando que 67% dos empresários querem entender o retorno de campanhas e apenas 21% estão felizes com os esforços feitos. Seria preciso coletar e gerenciar dados, através de novas ferramentas, e assim obter o ROI, num sistema de rastreamento integral. “Você não consegue gerenciar aquilo que não mede, e 90% do custo e do tempo é simplesmente juntar dados”, assegura.



Seu trabalho parte do volume-base, assim chamado um indicador que leva ao percentual de venda que acontece pela idoneidade/reputação da marca e do produto, independente de esforços pontuais de comunicação e marketing. Este indicador cada vez é maior, mostrando a pouca suscetibilidade das pessoas a estratégias mercadológicas. Os profissionais precisam, baseados em pesquisas, detectar os nichos lucrativos para cada marca. Há postulados, como o que diz para centrar atenção na categoria de não-usuários como possibilidade de conquista de mercado, que não necessariamente funcionam em todos os casos. Em geral, 20% das pessoas garantem mais de 40% das vendas de uma empresa. Krieg completa: “tendo alvo a pessoa correta, o ROI sempre melhora”.



A definição de um bom posicionamento, que expresse e centre foco numa vantagem competitiva, é o caminho indispensável na opinião do especialista. Pesquisa da Copernicus detectou que somente 8% das pessoas entende o posicionamento e as intenções das 50 maiores marcas norte-americanas. O mundo do marketing multicanal busca articular muitos pontos de contato para resultar numa resposta de interesse e de compra. Muitas vezes, hoje o anúncio de TV não quer definir mais a venda, mas sim levar à internet, onde existe um aprofundamento de informações, que poderá levar ao ponto-de-venda físico. Este recurso, porém, é questionado pelo pesquisador porque muitas pessoas não chegam na internet, e portanto o comercial televisivo deveria também se bastar em entretenimento e informação ao mesmo tempo. “Se melhorássemos o target, os canais e a criação, teríamos muito mais. O consumidor precisa compreender porque quer a marca. É importante ter a meta correta. Somente com pesquisa podemos ver o atual e complexo processo de compra”, destaca. Ademais, inovação em termos de tamanho e formato, sabor, promoção, embalagem, extensão de linha, fórmula, preço é sempre a razão de novas compras, não somente uma nova propaganda. E o consumidor tem agora a capacidade crítica para entender o cenário e as seduções da comunicação.



ECONOMIA – A implementação e os benefícios de uma modelagem econométrica aplicados na InBev foi o centro da apresentação de Johan Landmark, diretor global de gastos comerciais e mídia da empresa. Ele explicou a representação matemática de uma relação causa e efeito de algumas variáveis, simulando cenários para planejamento, fazendo previsões e rastreamento para melhoria contínua. Entre os elementos para implementação estão o alinhamento de expectativas, garantia de resultados, oferta de habilidades e ferramentas. A partir deste trabalho, a realocação de verba vem sendo praticada por diversas companhias mundiais. Não há mais espaço para uma lacuna entre a promessa de benefícios e a entrega efetiva dos produtos e serviços, exigindo uma nova postura. Ele sugere o uso da econometria, que leva a um refinamento sem deixar de trazer resultados imediatos.



Isto envolve avaliação das escolhas em marketing, vendas e negócio e dados históricos de mercado da organização, num processo de análise e discussão cruzada entre as equipes internas para chegar ao ROI. Ele pontua: “é interativo, com ajustes, num sistema contínuo e cumulativo. É uma documentação dos pensamentos, e mesmo em diferentes países as pessoas conseguem se encaixar e não perder tempo”. O diretor alerta para não se perder em variáveis medidas, porque o simples e executável é o fluxo mais indicado para poder efetivamente encontrar onde os orçamentos e gastos estão exagerados e onde poderiam ser experimentados. Entre os desafios deste tempo de mensuração está a organização do processo de coleta, armazenagem, processamento e utilização de dados estratégicos hoje desarticulados em vários setores da empresa. A sistematização destas práticas pode garantir grande vantagem na constante readequação de planos requerida por uma realidade tão mutável.



WEB – Para falar do ROI na internet foi chamado o gerente sênior da Accenture Marketing Services, Cristiano Dencker. Enumerando realidades como o tempo médio de conexão ter aumentado mais de 13 horas por pessoa por mês nos últimos cinco anos, segundo dados do Ibote/NetRatings, e como o índice de 40% de existência de computadores nos lares brasileiros, ele acredita na centralidade da web. “Toda a comunicação vai girar em torno do website da empresa. Se ele não comunica a marca, já está perdendo no primeiro contato”, alerta.



Uma das grandes rupturas estaria na autoria do conteúdo, com um usuário co-autor que requer um esforço colaborativo. Outro ponto é a prevalência do uso para comunicação por redes sociais e para relacionamentos mais próximos, sem esquecer do enfoque da busca por entretenimento. Para maximizar o retorno dos investimentos web, uma das regras seria facilitar a navegação, sem emperramentos, links quebrados ou redundantes, ou promessas não cumpridas nos cliques. Além disto, Dencker sugere que testes prévios sejam sempre realizados com um grupo de usuários, com melhorias instauradas a partir de pesquisas, e não pela intuição. Estes testes seriam de conteúdo, posição de elementos, cor, oferta, ordenamento, design e também os horários principais de visitação, a origem do tráfego, categorias cliente e não-cliente, entre outros.



O gerente então cita fatores de ruído para cuidar. Acessibilidade, usabilidade, integridade de links, privacidade. Para não infringir uma destas questões, sugere-se uma ferramenta automática de monitoramento, mas sobremaneira a definição estratégica do motivo de existência do canal. Daí, algumas métricas são estabelecidas, como compras por mês, número de cadastros, número de emails recebidos e respondidos, número de comentários postados no próprio canal, paginas vistas. É possível até estabelecer mudanças a partir da origem da visita: digitando endereço ou via Google, porque são perfis diferentes de potenciais ou reais clientes. Os objetivos de negócio norteiam a estrutura da mensuração.



Em trabalho para o Ebay foram criadas e veiculadas 1024 combinações únicas de capa para buscar perceber quais os atrativos sobre cliques e vendas em cada espaço integrante da “home”. A diferença entre a pior e a melhor capa permitiu identificar um aumento de taxa de conversão de 40%, só pela ordenação de áreas de conteúdo e apelos.



EVENTOS - Avaliar iniciativas e projetos organizacionais consiste em provar o real valor das ações com base em evidências claras, confiáveis e padronizadas. O processo de avaliação organizacional não deve ser visto como uma atividade ocasional, complexa e onerosa, e sim como uma ação sistemática, estruturada e adequada à realidade. Precisa ser um processo transparente e propiciador de credibilidade. Esta foi a visão da última palestra do Fórum, desenvolvida pelo diretor de Soluções e Avaliações do Sirdar Instituto, André Meira. A idéia é conhecer os impactos tangíveis e intangíveis de cada projeto e detectar os que apresentam a melhor relação custo-benefício diante do objetivo almejado.



O mercado de eventos precisa também focar em resultados, mesmo que seja especificamente um aumento de rede de relacionamento. Para tanto, precisa haver melhoria em processos, com maior valor agregado, justificando orçamentos com muitas parcerias. Falar a linguagem de negócios é uma exigência, sempre remetendo a uma negociação objetiva com mútuas responsabilidades, e a avaliação deste processo passa por métricas estabelecidas na época do planejamento. “O profissional de organização de eventos muda o seu assento: sai da sala de espera do cliente, de onde é chamado só para as decisões finais, para entrar na sala de reuniões e conceber todo o sistema”, finaliza.



Entre as empresas representadas nas discussões do III Fórum, estavam Nestlé, Renault, Sadia, Itaú, Ambev, Amil, Bacardi-Martini, Carrefour, Cadbury-Adams, Correios, Editora Abril, Intelig, Unilever, Fiat e TAM. Na idéia de valorizar a comunicação como ativo competitivo de negócios, o evento faz parte do Comitê de Gestão Financeira de Marketing da entidade, justamente um espaço de aproximação da comunicação e do marketing com os conceitos financeiros e seus padrões de mensurabilidade. O Comitê organiza um curso de práticas em ROI e está finalizando um guia de melhores práticas.






RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (http://www.mundorp.com.br/)

LIVRO APRESENTA TRANSFORMAÇÕES CAUSADAS PELAS TECNOLOGIAS DIGITAIS

No Comments »

A passagem do público para as redes, das tecnologias da democracia para aquelas da colaboração são temas discutidos na mais nova obra coordenada por Massimo di Felice, Do Público para as Redes – a Comunicação Digital e as Novas Formas de Participação Social, que será pré-lançada nesta Bienal do Livro pela Difusão Editora. Trata-se do primeiro livro da coleção Era Digital, que prevê inicialmente o lançamento de outros três volumes. Esse primeiro reúne as reflexões de alguns dos principais pesquisadores internacionais da comunicação digital a respeito das modificações sociais em decorrência do advento das novas tecnologias comunicativas interativas.

O autor lembra que, historicamente, a humanidade passou por três grandes revoluções comunicativas. A primeira delas surge com a escrita no século V a.C., no Oriente Médio, marcando a passagem da cultura e da sociedade oral para a cultura e a sociedade escrita. A segunda é provocada pelo surgimento da impressão criada por Gutenberg, resultando na difusão da cultura do livro e da leitura.

Ocorrida na época da Revolução Industrial, a terceira foi marcada pelo início da cultura de massa com a introdução dos meios de comunicação eletrônicos. A criação da escrita, o advento da imprensa, a invenção do telefone, do rádio, do cinema e da TV possibilitaram novas práticas comunicativas, sociais, alcançando um público cada vez maior em um período de tempo e a um custo cada vez menores.

A revolução da comunicação, entretanto, não parou por aí. Massimo di Felice lembra que a quarta revolução ainda está em curso bem diante de nossos olhos, nos computadores ligados em rede, na interação com mouse, teclado e redes em geral. Esta nova modalidade de comunicação é definida na obra como um diálogo, onde é excluído qualquer tipo de distinção entre o produtor e o receptor da mensagem.

“Assim como o surgimento da impressão transformou a Europa pós-medieval e criou um processo de democratização das informações, o que resultou na Reforma Protestante e na Revolução Francesa, as novas tecnologias também ocasionam transformações nas hierarquias sociais e no conceito da democracia”, esclarece o autor.

Ao longo da obra, Massimo di Felice questiona os resultados futuros da comunicação em rede, da democracia, da distribuição de informações pelas mídias de massa, citando o exemplo dos grandes canais de TV – e da comunicação feita pelas instituições representantes de classe, como sindicatos, partidos e movimentos de massa.

Para responder a todas essas questões, o autor apresenta reflexões elaboradas por uma série de pesquisadores internacionais, entre os quais: Derrick De Kerckhove, Diretor do McLuhan Porgram in Culture and Technology da Universidade de Toronto (Canadá); Jose Bragança de Miranda, Diretor do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens da Universidade Nova de Lisboa (Portugal); Alberto Abruzzese, Direto do Istituto di Comunicazione da IULM de Milão (Itália). O livro reúne também os estudos de pesquisadores do Centro de Pesquisa Atopos da Escola de Comunicações e Artes, ECA-USP, com destaque para a participação de Paulo Nassar, presidente da ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial).

Massimo Di Felice é graduado em Sociologia pela Universita degli Studi La Sapienza e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, onde ministra aulas na graduação e pós-graduação na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP). Coordena o Centro de Pesquisa da Opinião Pública em Contextos Digitais - Cepop/ATOPOS na USP.


Sobre a Difusão
A Difusão Editora, especializada na produção e comercialização de livros nas áreas de Saúde e Comunicação, foi fundada em 1976. Sediada em São Caetano do Sul, trabalha fornecendo material didático para mais de 400 instituições de ensino brasileiras, sempre valorizando o autor nacional. Seu público-alvo é composto principalmente por professores, pesquisadores e estudantes, de nível médio e universitário.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:
Facto Comunicação Integrada
Carolina Denardi
(11) 4586-1551/ 9969-6761
carolina.denardi@factoci.com.br
Daniela Reis
(11) 2978-5820/ 7151-2213
factoci@factoci.com.br

Aplicação do Marketing vive dicotomia e erro de estratégia

1 Comment »


Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br

Está escrito em diversos livros e é cada vez mais repetido: o Marketing de hoje não é como o de ontem e não será como o de amanhã. Para quem viu todas as transformações de perto isso não é novidade. Mais ainda para quem foi, e continua sendo, ator destas mudanças. O professor Francisco Gracioso é uma destas pessoas.

Uma das principais vozes sobre Marketing do Brasil, o Presidente do Conselho da Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM - já viu muita coisa. Muitas delas transcritas em livros que viraram referência para o mercado. Em entrevista exclusiva ao Mundo do Marketing, o professor Gracioso detalha como se deu a transformação no Marketing e, do alto de sua experiência, explica como as empresas devem reagir a elas.

Se no passado as ações de Marketing estavam umbilicalmente ligadas à Comunicação, hoje a promoção e as ações de Trade Marketing não podem ficar de fora de nenhum planejamento estratégico. Sem contar na orientação por resultados. “O Marketing está muito mais orientado para vendas, resultados. Muito menos para estratégia de longo prazo e comunicação”, conta o professor, deixando claro que não pensar no futuro pode ser um grande problema.

O professor comenta ainda sobre o risco das empresas gastarem milhões em investimentos de curto prazo e que a publicidade não está em baixa. O grande problema é como analisar o retorno do investimento.

Qual é a diferença do profissional de Marketing de hoje e do passado?
Nos anos 70, o Brasil vivia o milagre econômico, o país crescia, havia um mercado ávido por bens de consumo. As empresas começaram a se organizar na área do Marketing, principalmente a partir da experiência trazida para cá pelas multinacionais e as agências americanas de propaganda. De início, associava-se o Marketing à Comunicação.

Infelizmente, ainda há essa confusão hoje.
Sim. Dizia-se que o Marketing era quem anunciava, o que não é verdade, é claro. A partir daí, criou-se por própria necessidade do mercado a consciência do que é Marketing. Era uma época em que o planejamento estratégico estava em voga, as empresas não eram pressionadas como hoje para apresentar resultados de curto-prazo e podiam planejar com mais tranqüilidade, a concorrência não era tão agressiva e a pressão dos acionistas de ter lucro rápido não era intensa como hoje.

Isso levou o Marketing a adquirir um caráter estratégico. O Marketing usado não mais para vender hoje, mas vender daqui a três, cinco anos, criando marcas a longo prazo. Isso ainda existe, é claro, mas muito menos. Em 1980, 1990, isso refletia-se na importância dada à gerência de produto. O gerente de produto era alguém que tinha uma visão estratégica. Esperava-se dele que apresentasse um plano estratégico para o produto, além de garantir as vendas mês a mês. Eram eles que comandavam as discussões nas reuniões, e as vendas tinham um papel secundário: prestar obediência ao Marketing. Dizia-se naquele tempo que, "quando se faz um bom Marketing, a venda é automática, não se precisa de um gênio para vender".

De cinco anos para cá, mudou tudo. Tenho um colega aqui, o João De Simoni, que diz que “o fim do mês é mais importante que o fim do mundo”. Isso revela a verdadeira situação das empresas nos dias de hoje. Somos pressionados para apresentar o resultado aqui e agora. Se você em uma reunião de diretoria diz: "bom, terei prejuízo no primeiro e segundo trimestre, mas do terceiro em diante vamos ganhar dinheiro", ninguém te escuta. Você é convidado a mudar de idéia ou sair da empresa.

Uma pesquisa realizada entre as maiores empresas americanas diz que o tempo de permanência média de um Diretor de Marketing em uma grande empresa é de apenas dois anos. Muda-se com uma facilidade extraordinária porque todos acreditam que o Marketing tende a fazer milagres. Isto mudou a essência do Marketing. Hoje, ele está muito mais orientado para vendas, resultados. Muito menos para estratégia de longo prazo e comunicação.

Qual é o risco das empresas terem que gastar milhões e milhões investindo sempre no hoje, sem pensar no longo prazo?
O segredo consiste em, de alguma maneira, trabalhar para o hoje e para o amanhã. Os mestres nisso são os japoneses. Eles dizem que nós, os ocidentais, não sabemos fazer planejamento. Justamente porque nos perdemos nessa dicotomia entre presente e futuro. Ou nos concentramos em um ou em outro.

A Toyota acaba de ultrapassar a GM. Essa virada se deu lá trás, quando lançaram o Corolla, como um carro mundial. Naquela época, a GM também tinha um carro mundial em desenvolvimento e pregava que, em cinco anos, teriam o carro mundial. É o mínimo que eles poderiam imaginar para ter um carro daqueles. A Toyota os surpreendeu, porque, em dois anos, lançaram o seu carro mundial, passando a dominar o mercado.

Como cuidar do futuro sem deixar de lado o presente?
Para nós todos é o presente que determina o futuro. Tenho a impressão de que, para essas empresas japonesas e algumas ocidentais, que já entraram no jogo deles, é justamente o contrário. O futuro que determina o presente. Eles conseguem planejar o futuro e, dessa forma, esse plano volta para alimentar o presente. Tem poucas empresas que realmente conseguem fazer isso, principalmente em mercados competitivos.

No dia-a-dia das empresas brasileiras, o presente é tão importante que o Gerente de Produto do passado não existe mais, foi algo que perdeu o sentido. As coisas mudam com tanta rapidez que ninguém mais se atreve a orientar-se por um plano qüinqüenal estático. Talvez o segredo esteja em olhar o futuro como fonte de informações dinâmicas, não estáticas. Ter capacidade de interpretá-las com muito mais rapidez e objetividade.

Apesar de ingrato, o exercício de prever o futuro tem que ser feito cada vez mais pelos profissionais de Marketing. Isso parece difícil, quando a própria mídia não foi capaz de adiantar a internet, que revolucionou o mundo, por exemplo.
Esse é o problema. A nossa imaginação não está batendo com a realidade. Mas, quando você se coloca no papel de uma empresa em particular, ela tem mais obrigação de saber o que acontecerá em seu próprio mercado. Não é tão difícil assim.

A Kodak viu seu mercado desaparecer com o advento das câmeras digitais.
Vi um trabalho comparando o trabalho da Kodak com o da Sony em câmeras digitais. A Kodak foi apanhada de surpresa. Foi uma grande burrada deles. Eles sabiam disso, mas achavam aquilo "olímpico" demais, que não os afetaria. Recentemente, eles mudaram de presidente, em um posicionamento que consistia em quebrar tradições. No plano de ação desse novo presidente, ao invés de olhar para o futuro, ele esta olhando para o passado. Foi buscar nas gavetas as patentes não utilizadas pela Kodak. Eles não estão olhando para frente.

A Sony, ao contrário, já está olhando além da câmera digital, para coisas que ainda não imaginamos e que podem vir a surpreender todo mundo. Isso ilustra o que eu quero dizer. Você precisa fazer isso, mas, ao mesmo tempo, enfrenta pressões das redes varejistas, que querem sempre mais. Este é o dilema das empresas. Não é impossível, mas é difícil. Os novos profissionais confiam cada vez menos em propaganda, que é um investimento a longo prazo, e confiam mais em acerto para o varejo, comunicação direta, verbas promocionais, ações de incentivo...

Cada vez mais o Marketing é bastante estratégico e fundamental para as empresas. A publicidade está sendo deixada de lado dentro deste composto?
A propaganda continua sendo muito importante. As grandes marcas precisam delas, disso não há dúvida. Na média dos grandes anunciantes, segundo dados da TNS InterScience, 45% da verba de comunicação vai para publicidade, o que não é pouco. Entre os fabricantes de produtos de consumo, vendidos no varejo, a proporção é de 25 a 30% apenas. O resto é principalmente para ações com redes varejistas, para o Trade Marketing. Seja isso Comunicação ou não, garante sua presença no ponto-de-venda, o que é importante também. Assim que eles raciocinam.

A questão do retorno do investimento em Marketing tem que ser mostrada cada vez mais. Como fazer isso?
Não importa o que eu digo. Aí fora, o retorno é o lucro obtido com o investimento feito em comunicação, propaganda ou seja lá o que for. Se alguém está gastando R$ 30 milhões no patrocínio de um grande evento, ele quer que, no final, o lucro líquido de uma determinada linha de produtos aumente em R$ 30 milhões e mais alguma coisa.

Mas não deveria ser assim, senão você não consegue medir a verdadeira eficiência da propaganda. Ela é uma arma destinada a mudar ou reforçar atitudes mentais. Isso se reflete no chamado share of mind. Se esses R$ 30 milhões mostrarem como resultado um aumento do share of mind de uma marca de 25 a 37%, isso para mim seria a prova de que a campanha deu certo.

Resta saber por que esse aumento de 12% do share of mind não resultou em vendas 12% maiores. Talvez algum outro elemento do Marketing não tenha funcionado. O preço talvez não estivesse correto, o produto não correspondia à promessa feita, a distribuição não ajudou... Isso que faz com que o Diretor de Marketing só fique dois anos no cargo. E o Diretor de Produção, que provavelmente é o verdadeiro culpado por estar produzindo com altos custos, continue na função por mais 25 anos.

Há vários anos tem-se falado que a promoção é a bola da vez. Até que ponto isso é verdade?
O dono das Casas Bahia, em uma entrevista, disse que sabe muito bem o valor que sua rede varejista tem para os fornecedores. Ele deu um exemplo: em 2005 ou 2006, a Mitsubishi tinha grandes contratos com as Casas Bahia e, no ranking geral das marcas, era a segunda mais vendida na categoria de televisores no Brasil. Por alguma razão, eles não se entenderam e a marca deixou de fornecer para as Casas Bahia. No ano seguinte, a Mitsubishi caiu para o oitavo lugar no ranking.

O varejo que tem o domínio do comprador. Costumo me perguntar muitas vezes a quem o consumidor é mais fiel: a marca "Omo" ou a marca do supermercado que vende o Omo. Geralmente é o supermercado.

As marcas estão mais preocupadas em envolver o consumidor do que o varejista. O varejista "grita" em sua comunicação, mas pouco investe em eventos ou relacionamento, por exemplo. Como você explica então essa fidelidade?
Respondo a isso como consumidor. No Pão de Açúcar do Brooklyn me sinto bem. Os funcionários são atenciosos e o serviço é bom. A loja é bem iluminada, limpa, tem sempre o que você quer. A imagem do varejo não cria-se apenas com anúncio na TV, mas principalmente através do contato real com o supermercado. Isso que é levado em conta, além do preço, que deve ser competitivo.

Tem mercado para todos os gostos. Li na imprensa que, devido à inflação crescente em algumas categorias de produto, tem muitas famílias de classe-média comprando produtos em lojas populares. Não é algo representativo para a classe, mas mostra que para alguns o preço é importante.

Nos EUA, aconteceu algo curioso. A Wal-Mart consolidou a sua imagem há muitos anos em uma época de dificuldade, inflação, quando os americanos não tinham muito dinheiro no bolso. E a rede varejista chegou à liderança ao investir na imagem do varejo "mais por menos". Depois, os Estados Unidos entraram numa era de bonança – que está terminando agora. Foram anos em que a Wal-Mart perdeu terreno. À medida que o americano entrava numa situação mais confortável, o apelo de preço baixo perdeu muito da sua força.

A Wal-Mart levou isso tão à sério que mudou a sua imagem. Remodelaram suas lojas, a política de contratação de pessoal... Tudo isso para adaptar-se à uma era mais próspera. Agora, com o risco de recessão, o Wal-Mart volta a ganhar força porque ainda existe a imagem do baixo preço.

O Brasil passa por um bom momento econômico nos últimos anos, mas agora a inflação volta a bagunçar o coreto outra vez. De qualquer forma, para o brasileiro que sempre teve pouco dinheiro no bolso, o preço nunca deixou de ser importante.


Mundo do Marketing: Publicado em 14/8/2008