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Entre comunicação interna e endomarketing, interessa é dialogar com funcionários

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Não há consenso do sobre o uso das terminologias “comunicação interna” e “endomarketing” entre profissionais brasileiros. Há uma tendência a diferenciar o emprego dos termos a partir do estilo de abordagem: mais engajadora e de longo prazo ou mais sedutora e de curto prazo. Foi o que se viu no Seminário de Endomarketing da International Business Communications/IBC, integrante do Informa Group, realizado no dia 28 de outubro de 2009 no Hotel Mercure Paulista em São Paulo/SP. De toda maneira, o que interessa mesmo é conseguir dialogar com os funcionários e levar em conta as suas expectativas no traçado do planejamento da área.

Para o relações públicas Greyke Oliveira, coordenador de Comunicação e Responsabilidade Social da Klabin, endomarketing são ações de marketing para público interno, para assegurar que os colaboradores compreendam e vivenciem o negócio, através de uma relação de trocas que compartilha objetivos e harmoniza interfaces. A empresa tem 13 mil funcionários em oito estados. “É um contínuo esforço comunicativo, tendo a informação como produto e estratégia de aproximação”, explica. Entre os caminhos da informação estão o cascateamento através de canais de intermediação a partir da alta direção e o repasse de dados e engajamento estimulado pelo contato face-a-face pelos líderes. O ciclo envolve a motivação funcional como influenciadora da cadeia de relacionamento, inclusive fazendo diferença na performance em vendas. Para tanto, a visão não pode ser tática e pontual, mas sim centrada em missão e valores como norteamento de práticas, com objetivos predeterminados. “A credibilidade da empresa junto ao seu pessoal é reflexo de sua política interna de comunicação”, destaca, com impacto direto em diversos públicos.

Ele cita os sete pecados do clima organizacional, segundo a Great Place to Work Institute, envolvendo não comunicar, não escutar, não liderar, tratar o indivíduo com indiferença, agir com parcialidade, não reconhecer e recompensar e não comemorar. Com uma perspectiva de que a participação gera comprometimento, Oliveira enfatiza que “a comunicação não é apenas informar, mas também ouvir para ter a mão dupla efetiva”. É preciso compreensão e apoio da gestão, como base da proximidade com as diversas áreas. O caminho parte de um planejamento anual, onde os indicadores de desempenho estão presentes para uma revisão sistêmica de planos e resultados, e inclusive para a própria validação do setor de comunicação como suporte estratégico. Como resultado da Comunicação Interna, ele aponta a contribuição para melhoria das imagens interna e externa, a valorização e motivação da equipe com impacto positivo na produtividade, a partir do incremento do senso de pertencer. “São os colaboradores como embaixadores da marca. A Comunicação interna viabiliza o diálogo estruturado e influi na agregação de valor”, opina.

O coordenador ainda pontua que é importante conscientizar todos os colaboradores sobre a sua quota de responsabilidade na eficácia da comunicação – no entendimento de que a comunicação não está fechada em um setor. A Klabin faz uma seleção de datas comemorativas alinhadas com o negócio para pontuar suas campanhas. A intranet é um espaço corporativo com inputs de todas as unidades, sendo ainda articulados outros instrumentos como informativo eletrônico, folhetos, cartazetes, eventos, jornal-mural. Há uma forte integração da comunicação interna e externa, planejadas e implementadas pelas mesmas pessoas.

Karina Tagata, consultora de Comunicação Estratégica, acredita que é a qualidade da interação entre organização e pessoas que determina o “sentimento de nós”. A cultura organizacional é uma construção social e coletiva. O grande desafio é proporcionar aos stakeholders internos condições de perceber e valorizar a transparência, afetividade, empatia e cooperação, gerando ganhos de produtividade. De outro lado, os funcionários são decisivos na conformação da reputação. Segundo pesquisa da The Economist em 2009 junto a 349 diretores, 44% apontam que a cultura interna forte é responsável pela agilidade do business, sendo que 33% entendem que essa agilidade advém da informação compartilhada. A percepção interna deriva de um conjunto de ações em sinergia – pesquisas internas, conversas informais, pesquisa de clima, nível de engajamento em atividades propostas.

CASE – O gerente de Marketing e Comunicação da corretora norte-americana Marsh Brasil, Victor Bialski, acredita que o endomarketing promova um ciclo virtuoso de serviços, com satisfação, retenção e rentabilidade. As estratégias utilizadas acabam fazendo o empoderamento dos colaboradores, que no seu caso são 1000 pessoas, por meio da proposição de canais de comunicação abertos, ascendentes e descendentes. Ele aponta a importância da pesquisa de clima e de pesquisas internas periódicas, cujos resultados devem ser analisados e sofrer intervenção com priorização de medidas. A avaliação da atitude e comportamentos internos, em sua opinião, deve ser sempre implementada sob o ponto-de-vista da aderência ou não ao foco estratégico da empresa, até para justificar as proposições de mudança, que tendem a ser sempre conflituosas.

Bialski mostrou o case de mudança de atitude “O Enigma da Selva”, tratando de posturas desengajadas e críticas, mas sobretudo buscando a visão inclusiva e diversa na equipe, em que todos têm lados negativo e positivo. Houve uma ambientação dos escritórios com elementos de selva, performances com atores imitando jacarés e “homens da selva”, peças internas e emails animados como teaser, dinâmicas e jogos da selva, até chegar na revelação do processo, tudo inspirado por um texto do antropólogo Antônio Marins, intitulado “Jacaré”.


RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (http://www.mundorp.com.br/)

Memória dá transcendência na “guerra de conteúdos”

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A forma como a memória contribui para o campo das narrativas, diante da sobrecarga de informação que gera “guerra de conteúdos”, foi um dos tópicos da palestra do diretor-geral da ABERJE e professor da ECA/USP, Paulo Nassar, na edição comemorativa do projeto “Pão com Manteiga: Café da Manhã com Comunicação”, organizado pela agência KlaumonForma Comunicação. Na contemporaneidade, a construção de narrativas acontece por diferentes agentes, que competem por atenção e por sentidos e significados. O evento reuniu mais de 60 profissionais e foi realizado na sede da entidade em São Paulo/SP no dia 25 de junho de 2009, contando ainda com debatedores convidados.

A abertura do encontro, que marcou 60 edições, foi realizada pela sócia e diretora de atendimento e planejamento da agência, Claudia Cezaro Zanuso, que fez um retrospecto da atividade em seus sete anos de funcionamento, com 59 consultores convidados e participação de profissionais de 100 empresas distintas, tendo como base a comunicação interna. Todas as edições anteriores do Pão com Manteiga estão agora registradas em um livro de 80 páginas, anunciado e entregue na ocasião, com resumos de todos os bate-papos informais no período - o que também está relatado no site http://www.klaumonforma.com.br/index7.php?cid=1&pid=0&mid=6&tid=0&mnr=1, com opções de texto, fotos e vídeos.

ABERJE - A Aberje é pioneira no trabalho com a história e a memória empresarial. Ainda em 1999, preocupada com questões trazidas pelas reestruturações produtivas e patrimoniais brasileiras, entre elas as privatizações e as centenas de fusões e aquisições, promoveu o Encontro Internacional de Museus Empresariais. Já no ano seguinte, a entidade trouxe ao Brasil o historiador inglês Paul Thompson, e desde então o tema está presente em cursos e encontros, de maneira integrada ou específica com outras áreas de atuação. Em 2004, foi publicado o livro “Memória de Empresa: história e comunicação de mãos dadas a construir o futuro das organizações”. Logo depois, inaugurou o Centro de Memória e Referência, reunindo um acervo de documentos, fotos e material audiovisual dos últimos 50 anos da comunicação empresarial nacional, afora uma biblioteca de mais de 1000 títulos da bibliografia fundamental da comunicação e das relações públicas. O CMR ainda abriga o Instituto Aberje de Pesquisas, que desde 2001 vem realizando estudos sobre o campo.

Paulo Nassar é jornalista pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/PUC-SP, sendo doutor e mestre pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo/ECA-USP, onde é professor e coordenador do Curso de Relações Públicas e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, além da especialização. Para Mestrado e Doutorado, ministra há dois anos a disciplina “Comunicação Organizacional e Relações Públicas na Construção da Responsabilidade Histórica e no Resgate da Memória Institucional das Organizações”, com alunos e produções que comprovam o perfil transdisciplinar da área. Seu último livro foi “Relações Públicas na construção da responsabilidade histórica e no resgate da memória institucional das organizações”, pela Difusão Editorial, sendo que periodicamente aborda o tema em colunas nas revistas Imprensa e Reserva Cultural e no site Terra Magazine.

Para o pesquisador, “o lugar é a morada da memória e é ela que humaniza a matéria e estrutura a linguagem”, sendo que se for descuidada faz perder o humanus e transforma-se em ruínas. Historicamente, a preservação da memória está ligada a inúmeros lugares, como o próprio cérebro que estrutura a memória oral. Trata-se da organização oral da memória como necessidade da retórica e, na falta de suportes escritos não criados até então, do estabelecimento de técnicas de memorização através de lugares, e num segundo momento pela busca da fixação dos sentidos por meio de imagens fortes. Sócrates não deixou nada escrito, sendo lembrado apenas pelos registros posteriores de Platão. Aliás, este pensador sentenciou que a invenção da escrita era a morte da memória, o que de certa forma, na opinião de Nassar, se perpetua até hoje por meio dos suportes digitais que arquivam tudo. A propósito disto, o professor enfatiza que canais online como blogs e Twitter são um descentramento dos discursos oficiais.

A memória foi sendo estabelecida dentro da tecnologia dos suportes, como a cera e a pedra, desde a tradição grega. A perenidade dos suportes torna-se um ponto importante, e então veio a tela, o ferro e o bronze, e deles a arquitetura, a escultura e mesmo as artes performáticas (como cinema e teatro). Mnemosine é considerada a Deusa da Memória e é mãe das nove musas do Olimpo, a quem correspondem as artes (Melpomene – tragédia; Clio – história; Euterpe – música; Erato – poesia lírica; Terpsícore – dança; Tália – comédia; e Calíope – poesia épica). Ele explica que na oralidade o tempo é mais cíclico, considerado sagrado e desenvolvido no face-a-face, e na escrita o tempo vem em forma linear, seguindo uma suposta ordem, sendo no digital a ocorrência dos multitempos, instantâneos e icônicos. Estas diferentes concepções alteram as formas de relacionamento entre as pessoas no decorrer da história.

Os lugares são definidos por simbologias, pela história e pela tradição, dado que o homem é um ser de representações. Nassar aponta, contudo, que convivemos com “não-lugares”, na concepção do teórico francês Marc Augè, sem símbolos, sem conexões, sem visão de passado e de futuro – chegando a desumanizar as pessoas. O “não-lugar” é a antítese da memória, é o espaço do quantitativo, sem dimensão de sonhos, do commodity. Ele alerta que a aceleração de funcionamento das estruturas corporativas tem levado a uma perda de sentido e os espaços produtivos então tornam-se “não-lugares”. E isto tem causado um impacto enorme nas narrativas empresariais, que perdem apelo e repercussão porque abandonam os mitos, os ritos, os rituais e os heróis em nome do factual presente e numérico. O resgate destas perspectivas seria fundamental diante de tantos outros focos de expressão da sociedade. “Por isto, as narrativas precisam inspirar experiências dentro dos cinco sentidos”, diz, e com isto oferecer temas bem além do escritório. “A sociedade está obesa de informação, mas continuamos famintos de significados”, sentencia.

Neste caminho, há novos protagonistas da memória, por seu caráter de recurso democrático, desfocando da eterna prevalência do resgate de percepção das diretorias. Todos têm a sua história, havendo portanto espaço para os demais membros da organização. É uma opção que ajuda na busca da transcendência, num panorama em que empresas e cidades, até mesmo em seus espaços de lazer, são excessivamente funcionais, e onde a visão dos discursos é informativa e pacificadora, e não dialógica, opinativa e de controvérsias. “É preciso tornar os lugares interessantes, o que se consegue pela ligação da tradição com a inovação”, aposta ele, mostrando uma série de fotografias de obras artísticas e arquitetônicas. E completa: “hoje já uma busca pela subjetividade. Embora seja difícil trabalhar isso no ambiente competitivo, não tem mais sentido o discurso somente racional. As empresas que são não-lugares vão desaparecer”.

CONHECIMENTO - Para Beto do Valle, da consultoria de gestão do conhecimento Terra Fórum (www.terraforum.com.br), organizações centradas em valores sabem da importância de contar sua história e mantê-la permanentemente atualizada. São principalmente os incidentes críticos e fatos marcantes que constroem o conjunto de parâmetros que ajudam a definir os comportamentos estimados pela organização. Uma das grandes tendências atuais seria o espaço digital, onde todas as informações relevantes que descrevem a trajetória da empresa ficam organizadas, permanentemente atualizadas e acessíveis. Segundo o consultor, a Memória Empresarial é uma solução de impacto para valorizar o trabalho dos colaboradores, pois possibilita uma visão da história da empresa, seus fatos e pessoas marcantes, com visibilidade, facilidade de acesso e, acima de tudo, com um olhar histórico e institucional. Permite também, de forma inovadora, a coleta de fatos a partir de quem vivenciou ou ainda vive a história da empresa.

Para contar esta história de maneira dinâmica, ele sugere que o conteúdo seja organizado em torno de um fio condutor. Isso permite a visualização das informações, taxonomia e metadados adequados aos componentes da memória - textos, depoimentos, fotos, notícias, descrição de momentos importantes e vídeos, por exemplo. Com a Memória Empresarial, a corporação também desperta para a necessidade de organizar e classificar todas as suas informações, desde o seu surgimento na empresa. Sua empresa possui uma metodologia própria que mapeia e identifica os principais elementos que constituem a Memória Empresarial de uma organização, analisando a história e seus documentos a fim de entender suas atividades, produções e fatos marcantes; propondo e desenvolvendo a taxonomia para a classificação e organização das informações e apresentando caminhos para publicação e difusão do material.

A técnica de “story-telling” foi a opção comentada por Valle, como um meio de trocar significados e conhecimentos. A idéia é identificar, captar e disseminar histórias, que são uma das mais antigas formas de compartilhamento. São escolhidos o propósito e o público-alvo, a linha do tempo e fatos marcantes, o mapeamento e a seleção de histórias e personagens e escolhidos ainda os formatos de captura e disseminação. O consultor explica que a interação com o outro gera histórias, onde as experiências estão embutidas e perpetuadas. Segundo ele, histórias são veículos de significados (idéias, valores, culturas, comportamentos, emoções, atitudes) e tiram as pessoas da neutralidade, movimentando para uma opinião e para o debate. O que é trazido à tona traz aprendizagem e precisa ser sistematizado. A dinâmica do conhecimento organizacional estimula uma troca mais formal. Ele cita o teórico Hofstede que diz que os elementos da cultura são formados por valores, rituais, heróis, símbolos e práticas, todas as matérias-primas da história e da memória. O compartilhamento das “stories-telling” gera lições aprendidas, relatos de caso, processos, projetos e boas práticas. Dois cases exemplificadores foram mostrados: o projeto de internacionalização da Valer, a universidade corporativa da Vale, cujos parâmetros de estilo de funcionamento e de tratamento foram captados pela gravação de histórias para repasse a outras unidades da empresa no exterior; e a retenção de conhecimento sobre grandes obras da Petrobras, com suas técnicas, interações e impactos organizados em lições e tomadas de decisão decorrentes, registradas em livro e DVD.

ESPAÇO MEMÓRIA - Mírian Mizuno, do Espaço de Memória Itaú, também trocou impressões com a platéia. O Espaço Memória do Itaú Unibanco foi criado para reforçar valores, cultura e identidade institucionais por meio do resgate, preservação e disseminação da memória do Banco, e ainda preservar, fortalecer, disseminar e manter a cultura do Itaú Unibanco. Entre suas atividades, estão desenvolver projetos que promovam o intercâmbio de informações, interagir com as áreas, dinamizar serviços e tornar mais freqüente o acesso aos espaços e às informações. Segundo Míriam, a idéia é interrelacionar-se com as áreas-chaves do banco para um contínuo resgate da sua produção documental, formando uma rede de correspondentes permanente, sensibilizar as pessoas e implantar a cultura da preservação da memória na organização e estimular a formação de lideranças estratégicas para o processo de valorização da memória do Itaú Unibanco. Tem como atribuição de assegurar a preservação física da documentação de ambos os acervos sob sua gestão, a produção documental no Banco, a manutenção de uma coleção de livros raros na Sala Alfredo Egydio de Souza Aranha e a promoção de exposições culturais e educativas, fixas e itinerantes, pelos pólos administrativos, sensibilizando as pessoas e implantando a cultura da preservação da memória na organização.

A equipe realiza visitas monitoradas à Sala Alfredo Egydio e/ou ao Espaço Memória, sendo que para o público interno a função é a integração presencial corporativa de funcionários, a interrelação com os programas internos de incentivo, a integração de equipes vindas de diversas regiões do Brasil e de gestores vindos de diversos pontos do país e da América Latina. Para o público externo, o alvo são visitantes da comunidade interessados, convidados da Direção, entidades, Febraban, Itautec, Itaú Cultural, Universidades, centros de memória e também o atendimento a jornalistas.

A agência KlaumonForma ainda aproveitou a ocasião para lançar oficialmente seu Núcleo de Memória Empresarial, gerido por Débora Rubin, Suzana Vernalha e Vivianne Aléssio. Há um site com vários exemplos de trabalhos – http://www.nucleomemoriaempresarial.com.br/ . Participaram representantes de empresas como Abbott Brasil, Nívea, Consórcio Via Amarela, CSN, Aché Laboratórios, Comgás, Natura, Atento, Gol, Camargo Correa, Banco Ibi, Editora Abril, Claro, Fundação Bunge, IBM, Mantecorp, Bombril, Kimberly Clark, Bradesco, Nestlé, Promon Engenharia, Fundação Vanzolini, Basf, Sabesp, TNT, Unimed Paulistana e Votorantim, além de pesquisadores no tema.


RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (http://www.mundorp.com.br/)

Ambiente digital está no centro da comunicação corporativa

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A temática oficial do 12º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, organizado pela MegaBrasil entre os dias 27 e 29 de maio de 2009 no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo/SP, foi “O novo patamar da Comunicação Corporativa no Brasil”. No entanto, o evento, com cerca de 800 inscritos de 23 estados, esteve tomado por reflexões e análise de práticas no ambiente digital. Este é o maior foco atual de estudos e demandas na área, e foi desenvolvido, com enfoques diferenciados, no conjunto das atividades: três conferências internacionais e duas nacionais, uma vídeo-conferência internacional, 24 palestras simultâneas, oito workshops complementares e uma solenidade de premiação.

Jaqueline Nogueira, diretora de Influencer Relashionship Management/IRM da Ketchum Estratégia, deu início ao enfoque de uso de ferramentas interativas para conhecer melhor os interlocutores. Afinal, o consumidor tem um poder que nunca teve antes, e então o IRM é um programa que identifica, seleciona e estabelece conexões com indivíduos e grupos que afetam a percepção sobre marcas. O sistema permite fazer identificação e segmentação de públicos, mapeamentos, prioridades e benchmarking, alinhamento estratégico, envolvimento, mensuração e administração. E a importância dos influenciadores é atestada em várias pesquisas que indicam que, na equação que leva à decisão de compra em determinadas categorias, as pessoas comuns (amigos, vizinhos, colegas e familiares) têm prevalência sobre a propaganda. Para a entrega da mensagem mais adequada, é preciso entender com profundidade o perfil demográfico e psicográfico do target, aí sim embasando as escolhas de mídia. Esta análise permite categorizar as pessoas ou grupos em influenciadores iniciais e finais e ainda em críticos determinantes, dependendo do nível de potencialidade de formatar opiniões de terceiros. Convencer a pessoa certa gera experimentação da marca; diminui influenciadores negativos; muda percepção, opiniões, comportamento, hábitos e cultura; conquista diferencial competitivo; constrói apoio crítico e colabora diretamente na reputação.

A executiva relatou case da Aveia Quacker nos Estados Unidos, iniciado em 2004, mostrando o produto como alimento funcional. Houve um mapeamento de influenciadores, identificando e abordando fóruns de debate sobre carboidratos, grupos de saúde cardíaca, mídia de saúde, segmento de beleza e saúde, além dos detratores, aqueles contrários ao produto, sempre fornecendo dados, estabelecendo relações de diálogo e esclarecimento e repassando “key messages” eleitas como fundamentais. Depois de determinado tempo, pode se perceber a fixação em vários grupos sociais. “Mais do que convencer, a proposta é engajar”, conceitua.

HIPERCONEXÃO – Carina Almeida, sócia-diretora da Textual, e Jaíra Reis, diretora da Casa do Cliente e do portal Nosdacomunicacao.com.br, assinalaram que o ambiente digital impele à verdade e à postura de idoneidade, porque versões de fatos não podem mais ser sustentadas com a proliferação dos meios de registro e de difusão de conteúdos, os quais põem à prova as narrativas produzidas sobre os acontecimentos. Segundo o Google, 26% dos conteúdos gerados na web sobre as 20 maiores corporações do mundo são feitos por terceiros. Pesquisa com 124 jornalistas de nove estados, sobre o que influencia na boa reputação, mostra que 35% dos profissionais da imprensa interessam-se sobre o que e quanto produz a organização e 31% sobre como ela se relaciona com a comunidade e o meio-ambiente, ficando 21% de preferência para o desempenho financeiro e 10% para relacionamento com funcionários. Em cenário de crise e para manter a boa reputação, os jornalistas valorizam a transparência da comunicação de resultados e cortes, mais do que exatamente não demitir.

A sensação de veracidade pode ser alcançada com uma mudança da postura dos porta-vozes melhor preparados para responder demandas em exposições públicas e ainda com consciência do papel do indivíduo como “pessoa jurídica”, e também com o endosso de terceiros à performance da organização, cuja credibilidade é maior. Outro canal é a capacidade da comunicação de disseminar internamente as mensagens estratégicas com agilidade.

Jaíra aposta na quebra do velho paradigma de que comunicação é transmissão de informações para entender que comunicação é relacionamento, que pressupõe bilateralidade e diálogo constante para estabelecer vínculos fortes. “É aumentar a capacidade de ouvir para gerar respostas positivas do outro”, explica. Disto depende a efetividade da comunicação, porque é a base da avaliação de resultados posterior. Num mundo hiperconectado, a extensão dos atos é indefinível, e o que seria brincadeira ou descontração vira um caso de crise. A comunicação integrada bem resolvida e de resultados cria “embaixadores da marca” que são fundamentais para a reputação. “Estamos vivendo um excesso de mundo”, reflete ela sobre a quantidade e velocidade de informações que por vees só saturam e não agregam valor.

BOCA-A-BOCA – John Bell, diretor da Ogilvy Public Relations dos Estados Unidos, menciona que, mais do que publicidade e editoriais, hoje o boca-a-boca traz confiabilidade. E numa era de transparência, é preciso readequar as estratégias de comunicação organizacionais. Ele estima que cada pessoa nos Estados Unidos hoje seja exposta a três mil mensagens comerciais entre acordar e dormir, numa evidente saturação. Daí que a regra é participar de conversas, e não entregar ou querer controlar mensagens, e monitorar esta conversação digital. Num mundo de contribuição peer-to-peer, de explosão de aplicativos e distribuição de conteúdo móbile, é importante identificar influenciadores. O time do boca-a-boca digital precisa ser integrado por propaganda criativa, relações públicas, search marketing, marketing direto, monitoramento digital, ativação de vendas e engajamento em mídias sociais. Basicamente, o valor do engajamento é obter disposição das pessoas em dedicar tempo e energia com uma marca, formando “embaixadores do boca-a-boca”. Há um novo modelo de mensuração de resultados na área, dividido entre alcance (awareness e avaliação), preferência (engajamento) e ação (conversão e lealdade). Outra consideração feita é entender o conceito do “beta perpétuo”, ou seja uma condição e permanente recriação de produtos, serviços e relacionamentos, abrindo chance de experimentação e colaboração para aprimoramento. “Mesmo que os chefes sejam céticos sobre as mídias sociais, logo compreenderão”, enfatiza, completando que “estamos falando de relacionamentos, não de transações”.

O consultor detalhou alguns cases no tema. Um dos exemplos foi da montadora Ford, em que 40 blogueiros foram contatados e passaram um mês com algum modelo de carro para relatar em seus canais as suas experiências, com liberdade de abordagem e julgamento. Já a Lenovo contratou 100 atletas olímpicos de 25 países que documentaram suas experiências nos Jogos na China, através de notebooks da marca, em blogs, álbuns de fotos e vlogs no projeto “Voices of the Summer Games”, com alta repercussão. Para a Lance Armstrong Foundation, na proposta de tornar o tema “câncer” uma prioridade mundial, aplicou Twitter, blog, Facebook, móbile SMS, álbuns de fotos, numa verdadeira “escada do engajamento”. Aliás, ele afirma: “engajamento é a grande moeda”, sendo que a fórmula das conversações em redes sociais passa pela repercussão em escala por influenciadores, multiplicadores e difusores/replicadores. Estas ações são realizadas com indivíduos e grupos muito focados e restritos, para chegar depois num público mais vasto.

Para convencer os setores de marketing das empresas a investir neste enfoque, ele sugere apresentar os números nacionais da internet: no Brasil, há 677 mil tweeters, 700 mil blogs, 12 milhões de leitores de blogs, num panorama de 53,9 milhões de usuários de internet – 35 milhões deles cadastrados no Orkut. Na verdade, ele reconhece que se o desejo é alcançar a grande massa de pessoas, utiliza-se a TV. A internet atinge hoje exatamente os influenciadores, num outro encadeamento de difusão de mensagens. Sobre os apontamentos de que a mídia social não pode ser controlada, Bell aponta que um processo integrado de ouvir, planejar e engajar ameniza esta falta de controle e permite interações bastante produtivas. Alguns canais institucionais com sua participação são wiki.beingpeterkim.com, www.360digitalinfluence.com e www.thedailyinfluence.com . (Textos adicionais complementam a cobertura do evento)
RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (http://www.mundorp.com.br/)

Rede exige equilíbrio nas linguagens coloquial e corporativa

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O conhecimento é como uma esfera, cujo aumento de volume coloca mais pontos de contato com o desconhecido e com mais interagentes. Hoje, a comunicação ganha um ar de virtualidade, ainda que mesclado com o real, transitando entre átomos e bytes, entre o palpável e o simbólico, o que traz ainda maiores desafios para os comunicadores. Este panorama foi um dos temas tratados na Conferência de Portais Corporativos da International Business Communications/IBC, integrante do Informa Group, realizada entre os dias 24 e 26 de março de 2009 no Hotel Pergamon em São Paulo/SP.




A análise é de Carlos Seabra, diretor de Tecnologia do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicas/IPSO, que destaca haver “uma imensidade de desafios na tarefa de produzir e gerir conhecimento”, acrescentando que o mundo da mobilidade, sobremaneira com os celulares, traz uma nova preocupação na adequação de formato e conteúdo. A gestão editorial é um processo que se mantém fundamental mesmo em tempos de descentralização da produção de conteúdo, porque do contrário se corre o risco de um empobrecimento dos discursos e reflexões, pelo tipo de participação que se vê nas redes sociais. De todo modo, reconhece que nunca houve tantas pessoas como agentes da comunicação escrita, com diferentes tipos de linguagem, o que seria bastante positivo. Aliás, para ele aparecem aí inúmeros elementos inibidores da expressão, como a falta de domínio da gramática ou até do raciocínio lógico. E acresce: “vamos de uma extrema informalidade na linguagem coloquial, para um extremo formalismo na linguagem oficial corporativa. Temos que achar um equilíbrio”. E lembra que a qualidade dos processos, inclusive nas certificações ISO, é escrever o que se faz e fazer o que se escreve, mostrando a força da capacidade de comunicação que precisa ser desenvolvida para todos os níveis hierárquicos. Seabra pontua, somente, que a linha entre política editorial e censura é tênue e merece muita atenção.




Outro ponto no mundo dos portais que representa novas exigências aos profissionais é o monitoramento contínuo dos usos, e também a organização de seus arquivos e acessos por links. Ele sugere cuidado com o exagero nos hiperlinks, porque o resultado final pode ser a dispersão do leitor, e não a atribuição de poder de escolha de ordens de leitura. O exercício de realizar treinamentos para inserção de profissionais nas redes sociais, por meio da abertura de acesso nas empresas ao Orkut, a blogs pessoais e ao MSN, mesmo que tratando de temas não corporativos, é o melhor caminho na opinião do pesquisador. Esta pessoa cria familiaridade, identidade e apreço com os canais e depois fica muito mais suscetível a incorporar os meios para produção institucional. “As pessoas escrevem bem quando leem muito. Além disto, quando praticam bastante. Mas o letramento nem sempre produz bons comunicadores”, alerta para demonstrar a complexidade do tema.




INTRANET – Gisele Martins, coordenadora de Comunicação Interna da Ultragaz, falou da experiência com a intranet criada em 2006. Sua empresa tem 70 anos e é líder e pioneira na distribuição de gás LP no Brasil, sendo a sexta maior empresa da área no mundo. Tem quatro mil funcionários e, através de 4.200 revendas, comercializa por mês sete milhões de botijões. A área de comunicação interna é subordinada ao setor de Recursos Humanos e o canal faz parte de um mix mais amplo de instrumentos impressos e eletrônicos. Na origem, a intranet era vista como um portal de passagem para outros sites, com informação desalinhada e desatualizada, ferramenta de conteúdo limitada, dada a falta de cultura de acesso à rede. A renovação iniciou pelo estudo do perfil de público em nível hierárquico e faixa etária, transformando a plataforma numa fonte única para busca de informações consideradas confiáveis e eficientes, gestão de conhecimento e serviços integrados, integrando todas as unidades administrativas.




Gisele comenta que teve como premissas básicas o aumento da eficácia e produtividade, garantia de agilidade e descentralização na tomada de decisões e prioridade a áreas, serviços e públicos com suas demandas mais imediatas. Articularam, assim, uma espécie de concorrência entre 11 fornecedores (analisando história, clientes, referências, descrição de serviços, orçamento, funcionalidade). Em trabalho conjunto com o Marketing, que é a área responsável pela internet, conheceram trabalhos de outras organizações, a partir do agendamento direto de visitas ou intermediado com clientes dos fornecedores contratados. Após a escolha, organizaram uma implantação em ondas, para dar respostas rápidas e efetuar mudanças constantes com benefícios cumulativos, sem assustar o usuário e gerar conflito. Um tutorial completo de realocação de seções antigas e dos novos espaços criados foi feito, junto com um help-desk permanente. Tudo era sustentado pela produção de textos, imagens, documentos pela equipe e pela interação em fóruns, chats e blogs. “O comprometimento das equipes para geração de conteúdo é fundamental. É um novo conceito criativo num novo momento digital”, acresce, informando que eram 25 responsáveis em cada uma das 20 áreas, gerando 500 páginas de materiais.
A executiva ainda assinala que foi usado o recurso da TV flash, com dinamismo de oferta de temas e manchetes e com atualização constante, e aplicaram um menu dos sistemas internos em total integração com o canal (gerenciamento de pessoal, logística, CRM e outros). O lançamento da nova intranet envolveu cartazes, envelopamento de elevadores, teasers e pop-up nos terminais. Como aprendizagem do processo de renovação, ela cita os desafios de fazer uma parceria com o setor de TI, selecionar de fato o melhor fornecedor para desenvolvimento e gestão de conteúdo, cumprir o cronograma evitando retrabalhos e pensar na potencialização da interação através de novidades vindas nas ondas subsequentes de implementações e aplicativos. Para evitar a perda de conteúdo no processo, ela sugere manter o histórico do planejamento, coleta e organização dos dados dentro da empresa, e não com um fornecedor externo que pode mudar e levar junto a inteligência em andamento. O preenchimento dos espaços depende da motivação da equipe, frequentemente tímidas ou inabilitadas à plena participação, sempre sob orientação criativa do setor de Comunicação. A idéia do gerenciamento das ondas em implantação precisa ser compreendida e desenvolvida com transparência, informando e negociando as possibilidades atuais e futuras.




Na Ultragaz, a experiência da construção conjunta de intranet e extranet garantiu sincronismo tecnológico, padronização visual, melhor distribuição de custos e alinhamento total de abordagem e estilo. A coordenadora somente alerta para a disputa interna de atenção do fornecedor, porque as equipes estavam em níveis diferentes de formatação dos conteúdos e possuem linguagens muito distintas. A segunda onda do trabalho vem com a implementação de novas funcionalidades, como blogs, fóruns e MSN acessíveis pela página, além do monitoramento de uso das seções disponibilizadas para embasar a edição e a divulgação. A terceira onda virá com a gestão do conhecimento e o webtraining. “O ambiente eletrônico deve ser o reflexo real da empresa, em constante aperfeiçoamento, com equipes unidas pelo objetivo de comunicar bem”, finaliza.




INTEGRAÇÃO – Pois esta noção de integração é a tônica da ação web da Perdigão, empresa brasileira que emprega mais de 55 mil funcionários em suas quatro fábricas e 27 centros de distribuição, além de exportar para 100 países. O publicitário Alex Toledo, coordenador do Comitê de Internet, relembra o primeiro portal em 1997 e o período em que as áreas de Relações com Investidores, Marketing, Recursos Humanos e Comércio Exterior da companhia resolveram publicar conteúdos e manter um espaço na rede de maneira independente e isolada, por volta de 2002. Somente dois anos depois a integração de sistemas, visual e linguagem aconteceu, sendo criado este comitê interno de governança para também ajudar na adequação a cada stakeholder. Havia uma indefinição de objetivos e verbas e insatisfação com o serviço de múltiplas agências externas. “A empresa tinha uma cara multifacetada na internet, incapaz de transmitir a dimensão do portfólio de produtos, marcas e serviços. Era preciso um novo realinhamento estético e funcional”, manifesta.




Um dos métodos foi nomear gerenciadores internos de conteúdo, que inclusive colaboram em situações de emergência. Foi explorada a linguagem multimídia, fortalecendo a marca com atributos de inovação, também pelo aprimoramento da experiência online do consumidor, numa demanda crescente. Houve um trabalho de reordenamento de conteúdos dos sites que existiam nas empresas adquiridas recentemente (Batavo, Elegê e outras), unificando partes corporativas, como relações com investidores e com a imprensa, a partir de uma inter-tela explicativa da função dos negócios. As demais sessões ficaram temporariamente iguais, até o alinhamento final do processo iniciado em 2009.




RP Rodrigo Cogo – Conrerp SP/PR 3674
Gerenciador do portal Mundo das Relações Públicas (www.mundorp.com.br)