Archive for Setembro 2012

Digital Age 2012 - social. móvel. conectado.

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A edição do Digital Age 2012, que acontece em São Paulo, entre os dias 04 e 05 de setembro, promete ser palco de grandes discussões sobre o futuro do marketing e comunicação digital.

Considerado um dos principais eventos sobre as novidades do que se passa no mundo on-line, a sexta edição traz como foco a realidade do consumidor móvel, social e hiperconectado.

A aldeia global de Macluhan parece estar se concretizando e se instalando em pequenos aparelhos que dão a liberdade do usuário se conectar com o mundo de qualquer lugar e a qualquer momento. Esses novos hábitos sociais trazem grandes desafios para os comunicadores.   

Para discutir a “nova-nova” mudança, palestrantes nacionais e internacionais marcam presença no Digital Age 2.0. Entre os convidados internacionais estão:

  • Soraya Darabi, co- fundadora do Foodspotting e Estrategista Digital da rede de televisão ABC News. Soraya começou sua carreira como gerente de parcerias digitais e social media marketing no The New York Times, onde liderou a estratégia de presença do NYTimes nas redes sociais. Em junho de 2010 foi capa da revista Fast Company na edição "Most Creative People in Business".;
  • Valeria Maltoni, consultora especializada em estratégia de marcas e negócios é autora do blog Conversation Agent que está na lista AdAge Power150 dos blogs mais importantes sobre marketing e comunicação da Advertising Age;
  • Larry Allen, vice-presidente de desenvolvimento de negócios e soluções para publishers e anunciantes da Real Media Group, divisão da empresa de marketing e tecnologia 24/7 Media, do grupo WPP. Colunista da Business Insider e da ClickZ;.
  • David Berkowitiz Vice-Presidente de Emerging Media da 360i, uma das mais interessantes agências de marketing digital da atualidade que cuida de contas de empresas como Coca-Cola, J.C.Penney, Kraft, Smirnoff e Guinness. É colunista da Social Media Insider para MediaPost, desde 2004;
  • Will Margiloff, CEO e fundador da Innovation Interactive. Com 16 anos de experiência em marketing na internet, Will é um dos pioneiros na utilização de search marketing, mobile, Alternative Display e Marketing Contextual.
  • Jermaine Dupri – um dos artistas de hip-hop e produtores de música mais bem sucedidos dos EUA, CEO da So So Def Recordings. Em 2011, Jermaine lançou a rede social Global 14 para celebridades, que atualmente reúne mais de 36 mil participantes com interesse em moda, hip-hop e R&B,  

Eles se juntarão aos palestrantes nacionais, entre eles Martha Gabriel, consultora, professora e especialista em marketing digital, e-commerce e mídias sociais; Mauro Segura, Diretor de Marketing e Comunicação da IBM Brasil e autor do Blog A Quinta Onda; Alessandro Barbosa Lima, CEO da e.Life, Marcelo Castelo, diretor de mobilidade da F.biz.

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Argumentação retórica: conselheiros, cavaleiros e soldados

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Raffaelo Sanzio - Escola de Atenas (1506-1510)
Há pouco mais de um ano, escrevi o post "Existe liderança coercitiva para fins positivos?". Naquele período eu estava no auge do êxtase profissional - assim eu acreditava. Ao menos 12h de trabalho diário de puro tesão. Tudo era perfeito. Com isso, os resultados conquistados foram mais prestígio, mais trabalho, mais verba, mais, mais e mais. Eu adentrava para rota do sucesso. E, conforme eu havia explicitado a todos no post "Como chegamos aqui?", eu conquistava mais poder.

Bom, "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" (Benjamin Parker), assim, com as responsabilidades vieram as informações, os acessos, as participações em reuniões, discussões e afins. Aqui começo o tema do meu post. As referências anteriores serviram para lembrá-los, em parte, como eu enxergava o processo e, ao longo do post, como eu enxergo o processo.

Enfim... Fui desligado há poucos dias da organização que trabalhei nos últimos dois anos. Aqui não cabem os motivos do desligamento tampouco manifestações de recalque, mas cabe o que eu aprendi e apreendi. E, só consigo escrever este post por que este foi o pensamento que me acordou domingo, 02 de setembro 2012: "O que antes era tempestade, tornou-se chuva. E, agora, é apenas uma leve garoa. Muito em breve haverá Sol". Junto dele consegui, enfim, compreender três perfis profissionais - penso que podem ser frutos da auto-avaliação.

O primeiro é o Conselheiro. Este é leal. Sempre com base em argumentos, ele é chamado para apresentar suas opiniões. Sente-se seguro em concordar ou refutar posicionamentos, sem represálias. Ouve, mas também, é ouvido. O Conselheiro é parte integrante do processo decisório. É o braço direito da liderança. Ele executa suas atribuições, somente após tê-las questionado.

O Segundo é o Cavaleiro. Este é honrado. Ele acata posicionamentos assumidos e ouve muito mais do que é ouvido. Desde que não haja duplo sentido, contradições entre o dito e o feito, ele executa todas as suas atribuições, sem questioná-las. Claro, nenhuma delas deverá ferir seus princípios e valores.

Por fim, o Soldado. Este é objetivo. Claro. Focado. Não compõe parte do processo de tomada de decisão e está ciente disto. Executa sem questionamentos. Segue, ipsis litteris, as atribuições que lhe foram delegadas. A execução é pura e aplicada.

O que tudo isso tem a ver com meu desligamento, este post e os posts anteriores? O discurso e a retórica. Esta é a conexão.

Tendo em vista que os integrantes de uma organização necessitam vivenciar a Missão, a Visão e os Princípios e Valores, tal como ocorre na harmonização do Clima Organizacional, o discurso e a retórica também requerem configurações individuais e de integração grupal. Estas características igualmente envolvem a personalidade, a motivação, a liderança e a satisfação.

Conforme salienta Alvair Silveira Torres Júnior, a retórica como “ferramenta de gestão”, tem fundamental importância para as organizações, pois possibilita a cooperação das pessoas para os objetivos do negócio.

Cabe, contudo, delimitar os conceitos de discurso e de retórica. O primeiro é a prática social de produção de linguagem verbal ou não-verbal, é uma construção social cabida apenas se considerado seu contexto histórico-social, suas condições de produção. O discurso reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente vinculada a do seu autor e à sociedade em que  vive. Já a retórica é definida como o domínio de processos, formas e instâncias capazes de articular argumentos discursivos com vistas à mobilização e ao convencimento.

Para tanto, a proposta de uma alteração comportamental, implicitamente cultural e climática, dentro da organização, requer da retórica organizacional “que não haja privilégio só do discurso verbal, mas que a argumentação retórica esteja presente em símbolos, objetos, na cultura, nas falas, ações, na empresa como um todo [...]” (Alvair Silveira Torres Júnior).

Nesta mesma linha de pensamento, Freitas e Guerra afirmam que a “prática discursiva é um poderoso exercício de comunicação que transforma os que nela se inserem (...) envolve três aspectos fundamentais (...) comunicação, desenvolvimento de líderes e transformação da estrutura organizacional [...]”.

O que se evidencia, portanto, como retórica organizacional proferida pelo discurso é que o convencimento e a mobilização pró-ativa dos públicos com os quais se relaciona está na base argumentativa – sem que isso implique a coerção, eloqüência vazia ou práticas ludibriantes.

E aqui cabe a minha função. Às Relações Públicas cabe a função de integrar, unificar, o discurso e a retórica à realidade organizacional, possibilitando maior entendimento entre públicos e organização. A coerência discursiva encarrega-se das mobilizações pró-ativas ou reativas, tal qual a formatação do clima organizacional, além de respaldar a imagem e identidade institucional.

O que tudo isso quer dizer? Quer dizer que há um contrassenso. Um paradoxo. Pois não cabe assédio moral travestido de liderança coercitiva, assim como, não cabe censura opinativa quando há atribuição de poder. Não há espaço para nomear cavaleiros, fazendo-os pensar que são conselheiros, quando na verdade, se espera que comportem-se como soldados.

Embora não haja uma relação hierárquica entre os três perfis - conselheiros, cavaleiros e soldados -, tampouco uma escala comparativa entre bom e ruim, há impeditivos para sua coexistência: o posicionamento do perfil não é momentâneo, ora um ora outro; e, o perfil não está relacionado com o cargo ocupado, mas sim com a expectativa atribuída ao indivíduo.

Quando, após toda essa discussão, concluímos que de fato a argumentação retórica está presente em símbolos, objetos, na cultura organizacional, nas falas de seus membros, nas suas ações, ou seja, na organização como um todo. Viva. Orgânica. Esperar de um liderado mobilização pró-ativa, valendo-se da incoerência discursiva é leviano. Torpe.

O poder ainda me move às Relações Públicas, desde que precedido de responsabilidade. E, eu ainda prefiro a transcrição literal de um pensado ao eufemismo do cenário comum, desde que haja coerência no discurso da argumentação retórica. O que eu aprendi e apreendi é que eu posso ser conselheiro, cavaleiro ou soldado, mas apenas um por vez. Assim como, aprendi e apreendi que contrassensos e paradoxos não proporcionam 12h diárias de êxtase profissional.

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