Comunicação interna: trampolim político

Politicagem


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O recente post do @uelramonPorque é tão difícil desenvolver o Pensamento Sistêmico???” veio ao encontro de um tema que estava martelando meus pensamentos já há algum tempo. Inspirado no texto do Jerônimo Mendes, publicado no Portal Administradores, o editor do Blog Ser.RP cita um trecho do referido autor que traz algumas razões que dificultam a prática do pensamento sistêmico, replicado abaixo:

“Mas o que significa pensamento sistêmico? Por que as pessoas têm tanta dificuldade para colocá-lo em prática? Existem inúmeras respostas para isso e aqui vão algumas: individualismo ao extremo, cultura do imediatismo, complacência, egoísmo, falta de visão, medo das mudanças, liderança ineficaz etc”.

Analisando esse trecho, fiz um paralelo com o tema da comunicação interna nas organizações. Vejam que os argumentos utilizados pelo autor para explicar a dificuldade da implantação do pensamento sistêmico também podem ser utilizados como exemplos de barreiras que atrapalham o bom desempenho da comunicação interna.

Além dessas já citadas por Jerônimo Mendes, acrescento mais uma: a questão política. Entre as definições para o termo que o dicionário Michaelis traz, destaco algumas para basear minhas argumentações.

Arte ou ciência de governar.

Arte ou vocação de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido, influenciação da opinião pública, aliciação de eleitores etc.

Astúcia, maquiavelismo.

Percebam que o termo política já incorporou pontos positivos e negativos. É tanto uma arte ou ciência no ato de governar, quanto uma arte ou vocação de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido, influenciação da opinião pública, aliciação de eleitores. Pode ser uma astúcia, maquiavelismo.

Infelizmente, alguns líderes de áreas internas de uma organização, cientes da importância e dos alcances dessa ferramenta comunicacional, fazem uso da comunicação interna como trampolim político. Buscam, dessa forma, a construção de uma imagem, pessoal ou a da gerência em que atua (neste caso, acaba refletindo na própria imagem do gestor), e não a real preocupação de manter os públicos internos informados sobre os andamentos dos projetos.

Não é raro ver a interferência, por meio do poder que exercem em decorrência do cargo que ocupam, desses gestores, seja na modificação de um texto, de um vídeo ou outro conteúdo em legislação própria. Também é fácil a observação que o instrumento da coerção é bastante utilizado.

Essas mesmas atividades são muito utilizadas no meio político e acabaram sendo denominadas como ‘politicagem’. Esse termo expressa bem as relações do ganha-ganha-perde. Muitas vezes ganha quem manda, às vezes quem obedece e perde quem realmente deveria ganhar (públicos-alvo e sociedade).

No caso do comunicador, do responsável pela gestão das informações dentro de uma organização, ‘o às vezes ganha’ não acontece (a não ser que compactue com os estratagemas daqueles que não se importam com a comunicação interna). Depois do público interno, ele é o mais prejudicado, pois o planejamento foi deturpado e comprometido, e o prazer de ver o resultado de seu trabalho acaba minguado.

O comunicador fica em um fogo cruzado. Percebe-se a manobra política em detrimento dos interesses dos públicos, mas muitas vezes acata-se a determinação. Pouco pode fazer. Pelo menos aquele que se submete a um gestor. E, cabe a esse, a obrigação de evitar que a comunicação interna seja usada como trampolim político por aqueles que querem se aproveitar da boa vontade dos públicos.

This entry was posted on terça-feira, 24 de maio de 2011 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.