RP tem que amassar barro


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Desde os tempos de faculdade sempre ouvi a mesma máxima da maioria dos profissionais e estudantes de RP, que a área não é valorizada e que não existe emprego e que somos o patinho feio da comunicação.

Como se ouve por ai, uma mentira dita muitas vezes vira verdade e acredito que foi isto que aconteceu na percepção de estudantes e profissionais.

Somos gestores de relacionamento, mas onde este tipo de trabalho é valorizado não encontramos os RP´s.

Olho o mercado e vejo os RP´s se engalfinhando em ramos saturados por jornalistas, publicitários, marketeiros e afins deixando vazar entre os dedos a sua principal razão de existir que é trabalhar os relacionamentos de forma estratégica.

Hoje a sociedade busca cada vez mais se relacionar com as organizações e já que o artista vai onde o povo está, o RP deve ir onde o público está.

Estou cansado de ver na internet artigos e mais artigos de RP e internet 2.0 e tudo mais, deixando-nos focados numa realidade de uma parcela pequena da população.

Um filão deixado por nós RP neste mundo corporativo é o relacionamento comunitário das empresas. O país está crescendo e com este crescimento surgem as grandes obras de infra-estrutura e com ela a necessidade de se relacionar com as comunidades atingidas por essas atividades.

Apesar do decreto Nº 63.283, de 26 de setembro de 1968 deixar claro no capítulo 2 artigo 4 que:

Art 4º Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito:

a) à orientação de dirigentes de instituições públicas ou privadas na formulação de políticas de Relações Públicas;
b) à promoção de maior integração da instituição na comunidade;
c) à informação e a orientação da opinião sobre objetivos elevados de uma instituição;
d) ao assessoramento na solução de problemas institucionais que influam na posição da entidade perante a opinião pública;
e) ao planejamento e execução de campanhas de opinião pública;
f) à consultoria externa de Relações Públicas junto a dirigentes de instituições;
g) ao ensino de disciplinas específicas ou de técnicas de Relações Públicas, oficialmente estabelecido.

Eu vejo poucos RP´s trabalhando nesta área. É inadmissível que nós profissionais de RP não aproveitamos uma oportunidade dessas para trabalho. É algo legal. É nosso direito.

Noto sempre na correria do dia a dia este trabalho está sendo feito por jornalistas, assistentes sociais e publicitários e não RP´s. Nada contra esses profissionais desenvolverem este trabalho, mas o responsável técnico do projeto deve ser o RP a responsabilidade de estruturar uma estratégia comunicacional para este processo cabe a nós.

Escrevo este artigo para dar um alerta a todos os profissionais. Se especializem em relacionamento comunitário. Não é modinha como um “second life” é necessidade.

Posso escrever linhas e linhas de exemplos para ilustrar o que eu digo, mas gostaria de enfatizar três.

Esta semana uma colega minha de RP me contou que precisava contratar cinco profissionais de RP para desenvolvimento comunitário em faixa de dutos e ela não encontrou ninguém. “Estou tendo que treinar Jornalistas e Publicitário com vício de agencia em desenvolvimento comunitário pois não encontro RP´s qualificados” afirmou a minha colega.

Outro amigo meu foi contratado por um salário atrativo para trabalhar em Moçambique em desenvolvimento comunitário para a Vale, não se encontram profissionais para isto.

Exemplos como estes aconteceram comigo, pois fiquei duas semanas procurando RP´s para trabalhar com desenvolvimento comunitário e os qualificados foram muito poucos (na verdade um).

Afirmo que isto não é um caso isolado, o mercado está procurando RP´s para este tipo de trabalho. O prêmio POP de 2008 foi claro nisto com o case Relações Públicas em Obra de Dutos: Uma Experiência no Coração da Amazônia. Construtora OAS Ltda. (http://www.conferp.org.br/site/noticia/Exibe.do?codNoticia=106).

Lembro que este ramo é um mercado muito bom, com salário beirando a faixa de R$ 3000,00 inicial, fora os benefícios. Muito mais que muita gente que rala em eventos em SP trabalhando como PJ.

Voltando a questão do nosso direito de exercer nossa profissão com comunidades, recordo que de nada adianta uma fiscalização dos CONRERP´S sobre quem está com RP contratado para este tipo de trabalho, se não tivermos profissionais qualificados para oferecer ao mercado. Seria um “tiro no pé” exigir das empresas algo que não podemos oferecer.

Assim, segue o meu apelo. As faculdades, que repensem a sua forma de processo educacional em comunicação comunitária e aos profissionais que estudem e se especializem nisto o quanto antes, a maré está boa para isto e vai melhorar ainda mais, pois só assim poderemos exigir os nossos direitos e ocupar nosso espaço no mercado.

Como eu disse no título deste texto, o RP tem que começar amassar barro, correr este país e sair dos grandes centros, a oportunidade pode estar no rincão deste Brasil. Tirem a roupa de grife, o terno bem alinhado ou a roupinha da moda, vista uma macacão, uma calça jeans e uma camiseta e vá a luta.
Boa sorte a todos.

Aislan Ribeiro Greca
É Relações Públicas formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Marketing e Mestre em Gestão e Desenvolviento Regional. Atualmente trabalha como Relações Públicas na Petrobras em São José dos Campos – SP e é Delegado do CONRERP 2 região no Vale do Paraíba.

This entry was posted on sexta-feira, 10 de abril de 2009 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

2 Responses to “RP tem que amassar barro”

Shirley disse...

Concordo inteiramente com o Ailan. É preciso parar de criticar e auxiliar esta construção deformadada profissão de RP e realmente colocar a mão na massa!
Existem muitas áreas que ainda podem ser exploras.

Anônimo disse...

Hello

It is my first time here. I just wanted to say hi!